Manaus, 14 de julho de 2024

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarcou, no sábado (8/7), para Letícia, na Colômbia, onde participou do encerramento da Reunião Técnico-Científica da Amazônia, evento organizado pelo governo colombiano (leia mais detalhes sobre a agenda mais abaixo).

Com a nova agenda internacional, a Colômbia se tornou o 13º país que Lula visitou desde o início do ano.

Em contraste ao isolamento de Bolsonaro, Lula tem apostado na diplomacia presidencial para restabelecer vínculos com aliados estratégicos e retomar o protagonismo do país em temas como meio ambiente e direitos humanos.

“A diplomacia brasileira, nesses primeiros seis meses e pouco, fundamentalmente, correu atrás de se reconectar com parceiros que eram muito próximos e tiveram algum distanciamento nos últimos quatro anos. Também se reposicionou em alguns temas que eram muito caros à agenda da diplomacia do país e estavam sendo manejados de uma forma contrária à nossa posição tradicional”, observa o cientista político Carlos Bandeira.

Lula prioriza Europa e América

De janeiro a julho deste ano, Lula priorizou agendas na Europa, e desembarcou em Portugal, Espanha, Reino Unido, Itália, Vaticano e França. E visitou mais países da América (Argentina, Uruguai, Estados Unidos e Colômbia) e da Ásia (China, Emirados Árabes Unidos e Japão).

O número de agendas nos continentes europeu e americano vai de encontro à tentativa do governo brasileiro de avançar na articulação para fechar um acordo comercial entre o Mercosul, bloco formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, e a União Europeia, composta por 27 países.

As negociações do acordo entre os dois blocos foram concluídas em 28 de junho de 2019. Para que o tratado passe a vigorar de fato, porém, ele deve passar por um processo de revisão e ratificação por parte dos congressos nacionais dos países do Mercosul e pelo Parlamento Europeu.

Há divergências sobre o acordo entre os integrantes do Mercosul e os da União Europeia. Um dos entraves, por exemplo, está na questão ambiental, liderada pela França.

O Parlamento francês pede que os agricultores da América do Sul tenham como base as mesmas regras sanitárias e ambientais da Europa e solicita ainda que, em um eventual acordo da União Europeia com o Mercosul, seja incluída uma cláusula para suspender o tratado caso o bloco sul-americano não respeite o Acordo de Paris.

O governo brasileiro tem elaborado, internamente, um documento com respostas a essas exigências ambientais. Recentemente, Lula disse que os termos colocados pela UE ao Mercosul para garantir a ratificação do acordo de livre comércio entre os dois blocos “são inaceitáveis”.

Agenda na Colômbia

A ida de Lula à Colômbia atende a um pedido do presidente do país, Gustavo Petro, para que o Brasil participe do encerramento da Reunião Técnico-Científica da Amazônia. Além da participação na cúpula, o brasileiro teve ter uma bilateral com Petro. Os dois devem focar em temas de comércio e de investimentos, cooperação em matéria de defesa e de segurança.

Durante a visita, a delegação brasileira participou das negociações da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) sobre a declaração conjunta a ser adotada por ocasião da Cúpula da Amazônia, que será realizada em Belém (PA), no próximo mês.

Segundo o Palácio do Planalto, o documento compreenderá ambiciosa agenda regional em favor do desenvolvimento sustentável da Amazônia, com proteção do bioma amazônico, inclusão social, fomento de ciência, tecnologia e inovação, estímulo à bioeconomia e valorização dos povos indígenas e seus conhecimentos tradicionais.

A Colômbia é o quarto maior parceiro comercial do Brasil na América Latina, ficando atrás apenas de Argentina, Chile e México. No ano passado, as trocas comerciais entre os governos brasileiro e colombiano foram de US$ 7,4 bilhões.

Cerca de 80% das vendas brasileiras à Colômbia foram compostas por manufaturados e semimanufaturados, como veículos e produtos automotivos, milho, café, papel/celulose, produtos químicos e farelo de soja. Já as importações da Colômbia para o Brasil concentraram-se em carvão e produtos químicos.

Fonte: Metrópoles