Manaus, 14 de julho de 2024

O câncer de intestino é o quarto tipo mais comum de câncer, sendo superado apenas pelos cânceres de mama, próstata e pele. No Brasil, estima-se que ele seja responsável por cerca de 20 mil mortes a cada ano, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Este tipo de câncer está intrinsecamente ligado ao estilo de vida. Cerca de 80% dos casos estão associados a fatores como tabagismo, alimentação inadequada, consumo de álcool e sedentarismo. Segundo a oncologista Maria Ignez Braghiroli, coordenadora do Comitê de Tumores Gastrointestinais Alto da SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica), “a literatura médica já descreve amplamente que o sedentarismo, uma dieta pobre em fibras, a obesidade e o tabagismo aumentam significativamente o risco de câncer de intestino”.

Uma das maneiras mais eficazes de prevenir tumores intestinais é adotar um estilo de vida saudável, evitando práticas prejudiciais ao órgão. Além disso, estudos recentes apontam para outras abordagens preventivas, como a inclusão de probióticos na dieta, a adoção de uma dieta vegetariana e o uso de anti-inflamatórios para reduzir as chances de desenvolver câncer de intestino. Vale ressaltar que essas pesquisas são observacionais ou baseadas em grupos de pequenas dimensões.

De acordo com alguns estudos, uma dieta vegetariana “bem planejada” parece estar associada a uma menor incidência de câncer de intestino. Isso ocorre porque esse tipo de alimentação exclui as carnes processadas, conhecidas por serem altamente cancerígenas, e tende a ser rica em fibras. A oncologista Maria Ignez destaca que, em geral, ter uma alimentação saudável é a estratégia mais eficaz.

No que diz respeito aos probióticos, existem evidências iniciais de que eles podem ser benéficos, pois promovem uma flora intestinal mais saudável. No entanto, é importante salientar que não há um alimento específico capaz de prevenir a doença, mas sim um conjunto de hábitos saudáveis que fazem a diferença.

Quanto ao uso de anti-inflamatórios na prevenção do câncer de intestino, a evidência é mais sólida, especialmente no caso do consumo contínuo de aspirina. No entanto, essa não é uma recomendação geral, e deve ser avaliada caso a caso. A oncologista espanhola Elena Élez, chefe do Grupo de Câncer Colorretal del Vall d’Hebron, ressalta que a maioria dos participantes dos estudos já tinha doenças pré-existentes ou fatores de risco significativos, o que requer uma abordagem cautelosa.

As especialistas destacam que as estratégias de prevenção mais amplamente aceitas envolvem evitar os fatores de risco e realizar exames de rotina para a saúde intestinal. A realização do exame de sangue oculto nas fezes pelo menos uma vez ao ano é recomendada, pois fornece informações valiosas sobre a necessidade de uma colonoscopia. A conscientização sobre o aumento da incidência desse tipo de câncer e a importância de manter um estilo de vida saudável, incluindo a prática regular de exercícios e uma dieta equilibrada, são fundamentais para a prevenção não apenas do câncer de intestino, mas também de outras doenças.