Manaus, 21 de julho de 2024

Um estudo publicado em 10 de outubro na revista Cell Reports descobriu que um dos fungos que causa a candidíase vaginal também atinge o cérebro e é capaz de levar a alterações fisiológicas que causam sintomas semelhantes aos do Alzheimer.

Os pesquisadores do Baylor College of Medicine, nos Estados Unidos, descobriram como o fungo Candida albicans entra no cérebro de camundongos e leva ao acúmulo da proteína beta amilóide — o fenômeno também acontece em pacientes com Alzheimer e está relacionado ao desenvolvimento de demência. Os ratinhos apresentaram principalmente perda de memória por causa da infecção.

Análises anteriores de autópsias do cérebro de pessoas com doenças neurodegenerativas descobriram que a maioria delas possuía traços do fungo no órgão. O levantamento americano buscou entender como a infecção funciona em nível molecular para gerar a mesma reação em cadeia da demência.

O ciclo do fungo no cérebro

Segundo os pesquisadores, o C. albicans usa enzimas para romper as barreiras do cérebro, onde consegue se multiplicar com maior liberdade. As substâncias também quebram a proteína beta-amiloide, o que acaba acionando as células de limpeza do órgão.

Fragmentadas, as proteínas se acumulam, gerando as placas relacionadas ao Alzheimer. Porém, em cérebros jovens, o sistema de limpeza se organiza rapidamente para lutar contra o invasor e a maioria das infecções dura cerca de 10 dias.

Conexão com o Alzheimer
Em ratos idosos, que não tinham um sistema de limpeza do cérebro tão eficiente, as infecções fúngicas se alastraram pelo cérebro. O sistema de defesa, incapaz de combater a infecção, permitiu o acúmulo das proteínas em placas.

Os pesquisadores sugerem que combater o acúmulo de placas não parece ser uma resposta eficiente contra doenças como o Alzheimer, já que as investigações indicam que elas não são a causa, mas uma consequência das demências.

“Nossas descobertas mostram que é preciso pensar em terapias inovadoras para essas doenças, pensando nas infecções que podem estar atingindo o cérebro, como a do fungo C. albicans“, explica o imunologista Dacid Corry, um dos autores principais do estudo, em comunicado à imprensa.

Fonte: Metrópoles
Foto: Reprodução