Manaus, 25 de julho de 2024

A falta de uma noite de sono repousante pode prejudicar o ânimo e a disposição ao longo do dia. Para aproximadamente 60% das mulheres, a insônia se torna uma ocorrência diária durante o climatério, conhecido como menopausa.

“A nessa fase, é comum que quem não tinha dificuldade para dormir, passe a apresentar, e quem tinha, veja o quadro piorar”, afirma a ginecologista Helena Hachul, do Instituto do Sono.

A insônia surge devido à redução na produção dos hormônios estrogênio e progesterona durante a pré-menopausa e a menopausa, estágios que marcam o fim da idade fértil.

A ginecologista, obstetra e especialista em reposição hormonal Maria Carolina Dalboni, do Rio de Janeiro, explica que a deficiência desses hormônios impacta a produção da melatonina e do cortisol, substâncias intimamente ligadas ao sono.

A dificuldade para adormecer também está relacionada ao surgimento de sintomas vasomotores da menopausa, que afetam a qualidade do sono. Exemplos bem conhecidos incluem ondas de calor (fogachos) e suores noturnos.

“Além do desequilíbrio hormonal, que causa insônia, elas têm sono fragmentado durante a noite e não conseguem voltar a dormir”, afirma Maria Carolina.

A perturbação do sono, combinada com as flutuações hormonais, desencadeia uma série de efeitos adversos. Pode impactar o humor ao longo do dia, prejudicar a concentração em tarefas rotineiras e o julgamento, levando a irritabilidade extrema, ansiedade e depressão.

Como Identificar se a Insônia é devido à Menopausa

Para algumas mulheres, pode ser complicado distinguir se a insônia é resultado da menopausa ou de outros fatores, como estresse cotidiano ou condições clínicas que afetam o sono.

Uma maneira de diferenciar, segundo Helena, é observar se a mulher apresenta outros sintomas característicos do climatério.

Estes sintomas incluem: ondas de calor, irritabilidade, alterações de humor, dificuldade de concentração e alterações físicas, como secura vaginal, perda óssea e mudanças cardiovasculares e de colágeno, ocorrendo a curto, médio e longo prazo.

Algumas mudanças no estilo de vida podem ser úteis para melhorar o sono, como:

  • Estabelecer uma rotina relaxante de higiene do sono antes de dormir;
  • Lidar com situações estressantes e preocupações através de estratégias como ioga, exercícios e terapia;
  • Reduzir o consumo de álcool;
  • Evitar a cafeína antes de dormir;
  • Abster-se do tabagismo;
  • Praticar exercícios físicos regularmente pela manhã para evitar a produção de cortisol à noite;
  • Evitar refeições pesadas ou picantes antes de dormir;
  • Considerar a reposição hormonal sob orientação médica.

“A reposição de progesterona à noite aumenta a produção do neurotransmissor Gaba para deixar a paciente mais relaxada, sendo um indutor do sono”, explica a ginecologista Maria Carolina.

O tratamento pode ser complementado com o uso de melatonina e outros suplementos contendo substâncias relaxantes, como magnésio, vitamina B6 (piridoxina), chá de mulungu e melissa.