Manaus, 25 de julho de 2024

O período chuvoso no Amazonas coincide com a sazonalidade da dengue, quando são esperados registros de casos da doença. No mês de novembro, foram registradas mais duas mortes por dengue no estado do Amazonas, elevando o total de óbitos para 11 desde janeiro até o dia 30 de novembro de 2023. Esses dados foram divulgados no último informe epidemiológico mensal pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-RCP).

Conforme o boletim da FVS, o número de notificações de dengue aumentou de 760 para 792 de outubro para novembro, totalizando 15.460 notificações em todo o estado até o momento. A faixa etária com o maior número de casos notificados é a de 20 a 39 anos, com 5.653 casos, representando 36,6% do total. Em seguida, pacientes de 40 a 59 anos registraram 3.325 casos, correspondendo a 21,5%.

Na última terça-feira (19), a FVS alertou que o estado apresenta médio risco de infecção pelo Aedes aegypti, com 50 dos 62 municípios com infestação do mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. No entanto, três municípios estão em alto risco de infecção: Guajará, Japurá e Tonantins.

Essas informações constam no 4° Levantamento Rápido de Índices para o Aedes aegypti (LIRAa) de 2023. A diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, destaca a importância de medidas preventivas constantes durante o período chuvoso no Amazonas para evitar a infestação do Aedes aegypti e, consequentemente, a propagação da doença.

Aumento de notificações na capital

Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, mostram que Manaus já registrou este ano 2.490 casos notificados de dengue, o que representa um aumento de 25% em relação ao mesmo período do ano passado. Já em relação aos casos confirmados, Manaus registrou este ano 549 casos, em uma redução de 50,1%, em relação ao mesmo período de 2022.

O chefe do Núcleo de Controle de Agravos Transmitidos por Aedes da Semsa, Edvaldo Rocha, informou que ações de prevenção e controle estão realizadas na rotina de serviços durante todo o ano, incluindo monitoramento da ocorrência dos casos, mas intensificando o trabalho com o início do período de chuvas, que potencializa o aumento de criadouros do mosquito. “O trabalho envolve o monitoramento das áreas identificadas como de maior vulnerabilidade e também os locais considerados como pontos estratégicos, que são locais com maior número de depósitos que podem servir como criadouros. É o caso de borracharias e de ferros-velhos, que são vistoriados de 15 em 15 dias, quando são feitas ações para tratamento ou eliminação dos depósitos, e orientação para conscientizar os proprietários”, destaca Edvaldo Rocha.

Bairros em alta vulnerabilidade

De acordo com Edvaldo Rocha, a Semsa também está desenvolvendo ações seguindo diagnóstico de vulnerabilidade elaborado com informações do Levantamento do Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa), realizado em Manaus no período de 06 a 22 de novembro, e da notificação de casos de dengue, chikungunya e zika.

O LIRAa apontou um índice de infestação predial de 1,5%, mantendo o município em Médio Risco para as doenças transmitidas pelo mosquito, e identificou nove bairros em Alta Vulnerabilidade: Redenção, Alvorada, Lírio do Vale e Compensa (Disa Oeste); Cidade Nova e Novo Israel (Disa Norte); Jorge Teixeira (Disa Leste); e Morro da Liberdade e Aleixo (Disa Sul).

Plano de contingência

A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), constituiu uma comissão para elaboração do Plano de Contingência das Arboviroses. Segundo a coordenadora da comissão, Viviana Cláudia de Paula Almeida, está sendo elaborado um Plano de Contingência das Arboviroses para o município de Manaus está sendo feita a partir do trabalho de servidores da Semsa divididos em quatro subgrupos: Mobilização Social, Educação em Saúde e Comunicação; Controle Vetorial; Rede de Atenção à Saúde; e Resposta Rápida e Análise de Dados.“

A ideia é a construção de um plano prevendo a execução de ações em vários cenários, incluindo o pior cenário com epidemia e mortes por dengue, mesmo que não ocorra. É um planejamento prévio, com ações que poderão ser executadas de acordo com a situação epidemiológica do momento.

A comissão vai manter a vigilância em relação ao número de casos, ao nível de infestação do Aedes aegypti, e manter a rede de saúde pronta, notificando os casos suspeitos, atenta aos sinais de agravamento da situação de saúde dos pacientes e monitorando os tipos de vírus circulando no município”, informa a coordenadora.

Situação dos municípios

No 4º LIRAa de 2023, os municípios que apresentam baixo risco são: Anori, Apuí, Atalaia do Norte, Autazes, Barcelos, Beruri, Boca do Acre, Boa Vista do Ramos, Careiro, Codajás, Fonte Boa, Iranduba, Itapiranga, Itacoatiara, Manacapuru, Manaquiri, Maraã, Maués, Nhamundá, Nova Olinda do Norte, Novo Aripuanã, Parintins, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira, São Paulo de Olivença, São Sebastião do Uatumã, Santo Antônio do Içá e Urucurituba.

Já os de médio risco são: Alvarães, Benjamin Constant, Borba, Carauari, Coari, Eirunepé, Envira, Humaitá, Ipixuna, Jutaí, Lábrea, Manaus, Manicoré, Novo Airão, Tabatinga, Tapauá e Tefé.

Apresentando alto risco, segundo o 4º LIRAa, são os municípios: Guajará, Japurá e Tonantins.